Aposta no algodão – A preocupação com a poluição por microplásticos e a procura por fibras naturais abrem perspectivas para a retomada do cultivo de algodão no Paraná. Além de servir como alternativa aos tecidos sintéticos, a cultura favorece a produtividade de outras lavouras quando utilizada na rotação com soja, milho e trigo.
Em Santo Inácio, no Norte do Estado, o produtor Ricardo Padulla arrendou 35 hectares para plantar algodão, com previsão de iniciar a semeadura até a primeira quinzena de novembro. A adaptação da cultura ao solo de arenito, a tolerância a períodos de estiagem e a organização da cadeia produtiva pesaram na decisão.
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A questão ambiental também impulsiona o interesse pela fibra natural. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), cerca de 35% dos microplásticos encontrados nos oceanos têm origem na lavagem de tecidos sintéticos, como poliéster e nylon. Essas partículas podem chegar ao organismo humano pela água, pelos alimentos e pelo ar.
Para Michel Rodrigues dos Santos, gerente de Políticas Públicas e Advocacy do WWF-Brasil, o agronegócio pode contribuir para enfrentar o problema ao oferecer alternativas sustentáveis. O tema foi debatido no 15º Congresso Brasileiro do Algodão, realizado em setembro, em Belo Horizonte (MG). O Sistema FAEP e a Associação dos Cotonicultores Paranaenses (Acopar) levaram 20 produtores do Paraná ao encontro.
Algodão no Paraná
Na safra 1991/92, o Paraná liderava a produção brasileira, com 709 mil hectares cultivados, equivalentes a 36% da área nacional. A disseminação do bicudo-do-algodoeiro, a expansão da soja e as dificuldades econômicas contribuíram para o declínio da atividade. Atualmente, o Estado tem cerca de 1,7 mil hectares destinados à cultura.
A Acopar busca reverter esse cenário com assistência técnica, apoio à colheita, transporte e comercialização. Para o presidente da entidade, Almir Montecelli, a valorização dos tecidos naturais favorece a retomada. José Antônio Borghi, produtor e presidente do Sindicato Rural de Maringá, também vê potencial para recuperar a participação paranaense no setor.
Diversidade e produtividade
Além do mercado de fibras naturais, o algodão oferece vantagens agronômicas. A rotação ajuda a interromper ciclos de pragas e doenças e pode melhorar o aproveitamento de nutrientes nas culturas seguintes.
Segundo Wilson Paes, consultor da Acopar e ex-pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), a produtividade da soja pode aumentar em até 20% após o cultivo de algodão. Embora exija acompanhamento técnico e monitoramento de pragas, a cultura pode ampliar a rentabilidade e diversificar a produção.
Borghi aumentou sua área de algodão de 20 para 100 hectares em três safras. Para os produtores, a combinação entre diversificação agrícola, assistência especializada e demanda por alternativas aos tecidos sintéticos representa uma oportunidade para fortalecer novamente a cotonicultura no Paraná.
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(Com informações de Folha de Londrina)
(Foto: Reprodução/Magnific/azerbaijan_stockers)


