Paraná avança na implantação de rede inédita de supercomputadores
A linha de produção será instalada na unidade da empresa em Pato Branco, no Sudoeste do Paraná (Foto: Reprodução/Magnific/Wavebreak Media)

Paraná avança na implantação de rede inédita de supercomputadores

Viagem técnica define os últimos ajustes para a fabricação de oito supercomputadores destinados às universidades estaduais e ao IDR-Paraná, em Londrina

Implantação de rede – Uma equipe da Hi-Mix, empresa paranaense vencedora da licitação para implantar uma rede de supercomputadores inédita no Brasil destinada às universidades estaduais do Paraná, está na Índia para concluir os preparativos necessários antes do início da fabricação das máquinas.

O projeto é resultado de uma parceria entre o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) e da Fundação Araucária, com o Centre for Development of Advanced Computing (C-DAC), centro de pesquisa vinculado ao governo da Índia.

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A Rede Estadual de Computação de Alto Desempenho contempla a instalação de oito supercomputadores — conhecidos internacionalmente como HPC (High Performance Computing). Os equipamentos serão distribuídos entre as universidades estaduais de Londrina (UEL), Maringá (UEM), Ponta Grossa (UEPG), Paraná (Unespar), Oeste do Paraná (Unioeste), Centro-Oeste (Unicentro) e Norte do Paraná (UENP), além de uma máquina voltada para aplicações de Inteligência Artificial que ficará no IDR-Paraná, em Londrina.

Os HPCs são capazes de processar grandes quantidades de dados e realizar cálculos altamente complexos em curto espaço de tempo, ampliando as possibilidades de pesquisa e desenvolvimento em diferentes áreas do conhecimento.

Transferência de tecnologia

“O principal objetivo desta viagem é definir os detalhes da linha de montagem que será implantada na Hi-Mix, além de avançarmos na transferência de conhecimento entre as equipes”, explicou Celso Saito, diretor da Hi-Mix.

“Na volta ao Brasil, iniciaremos as adequações necessárias na fábrica e, em seguida, receberemos especialistas da VVDN, nossa parceira no desenvolvimento dos HPCs, que acompanharão a homologação da linha e o início da produção dos equipamentos”, complementa.

A linha de produção será instalada na unidade da empresa em Pato Branco, no Sudoeste do Paraná. Paralelamente, a Hi-Mix também presta suporte técnico às universidades para garantir que a infraestrutura necessária esteja preparada para receber os equipamentos.

“A infraestrutura dos data centers das universidades faz parte de outro escopo do projeto, mas a Hi-Mix está prestando apoio técnico para que essa integração aconteça da melhor forma”, disse.

Saito também destacou que a elevada demanda mundial por componentes utilizados em data centers, computadores de alto desempenho e sistemas de Inteligência Artificial influencia o cronograma do projeto.

“Um dos motivos da nossa visita à Índia é acompanhar de perto a disponibilidade desses componentes junto aos fornecedores, para alinhar o cronograma e preparar todas as etapas para que a produção aconteça no Brasil da forma mais eficiente possível”, afirmou. “Por conta desse cenário, a montagem dos HPCs deverá ocorrer de forma gradual, conforme os componentes forem sendo disponibilizados pelos fabricantes”.

Após a conclusão dessa fase, uma nova equipe da Hi-Mix retornará à Índia para acompanhar os ajustes finais do projeto e virá ao Brasil acompanhada por especialistas indianos. O objetivo é assegurar a transferência integral da tecnologia, capacitando os profissionais brasileiros para a montagem dos supercomputadores e, posteriormente, disseminando esse conhecimento junto à Fundação Araucária.

Concluídas as etapas de fabricação e testes em Pato Branco, os equipamentos serão encaminhados aos data centers das universidades. Na sequência, ocorrerá a instalação dos softwares e das aplicações, além da realização de workshops e treinamentos destinados aos pesquisadores e equipes técnicas, permitindo o início da operação da estrutura.

Rede HPC

O projeto nasceu a partir de um Memorando de Entendimento firmado pelo governador Ratinho Junior com o C-DAC durante missão oficial à Índia, realizada em 2024. Reconhecido internacionalmente na área de supercomputação, o centro indiano será responsável pela transferência de tecnologia e pela capacitação de pesquisadores paranaenses, contribuindo para ampliar a capacidade de inovação e a soberania digital do Estado.

A proposta da Rede Estadual de Computação de Alto Desempenho é fortalecer a pesquisa científica, incentivar o desenvolvimento da indústria nacional de tecnologia e qualificar profissionais para atuar em áreas estratégicas da ciência e da inovação. A expectativa é que a estrutura acelere pesquisas em segmentos como
Inteligência Artificial, genômica e desenvolvimento de medicamentos para o tratamento do câncer, entre outras aplicações.

Os supercomputadores permitem executar operações computacionais extremamente complexas em alta velocidade, possibilitando o processamento de grandes bases de dados. No ambiente acadêmico, são empregados em pesquisas nas áreas de física, química, biologia, engenharia e meteorologia, além de aplicações como modelagem computacional, previsão do tempo, análises genômicas e simulações estruturais e aerodinâmicas.

No setor industrial, os HPCs são utilizados em atividades como prospecção de petróleo e gás por sísmica 3D, desenvolvimento de medicamentos e novos materiais, otimização de processos produtivos, testes virtuais de colisão, renderização de filmes, análises genéticas e gerenciamento de riscos financeiros.

Na agricultura, a tecnologia contribui para o processamento de informações obtidas por sensoriamento remoto, modelagem do crescimento das culturas, previsão de safras e uso mais eficiente de recursos como água e fertilizantes, favorecendo ganhos de produtividade e sustentabilidade.

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(Com informações de Folha de Londrina)
(Foto: Reprodução/Magnific/Wavebreak Media)

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