Licença-paternidade maior e jornada reduzida melhoram relações familiares

Pesquisadora afirma que falta de tempo é um dos principais desafios dos casamentos e defende jornadas reduzidas e licenças-paternidade ampliadas

Jornada reduzida – Ter mais tempo para a família pode ser um dos fatores mais importantes para fortalecer os relacionamentos. Essa é a avaliação da historiadora Stephanie Coontz, que defende a redução da jornada de trabalho e a ampliação da licença-paternidade como medidas essenciais para aumentar a satisfação dos casais e enfrentar alguns dos principais desafios do casamento na atualidade.

Segundo Coontz, diretora de pesquisa do Council on Contemporary Families, organização dedicada ao estudo da família contemporânea nos Estados Unidos, muitos dos conflitos enfrentados pelos casais estão relacionados à dificuldade de conciliar trabalho, responsabilidades domésticas e criação dos filhos.

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“Poucos casais conseguem fazer o ideal, que seria ambos trabalharem meio período e ter tempo suficiente com os filhos”, afirma a historiadora.

Para ela, jornadas de trabalho menores permitem uma divisão mais equilibrada das responsabilidades familiares e reduzem o estresse cotidiano, especialmente após o nascimento das crianças. Nesse contexto, licenças-paternidade mais longas também desempenham um papel importante ao incentivar uma participação mais ativa dos pais desde os primeiros meses de vida dos filhos.

A pesquisadora explica que um dos maiores fatores de desgaste nos relacionamentos continua sendo justamente a divisão do trabalho doméstico. Com menos tempo disponível, muitos casais encontram dificuldades para equilibrar as tarefas da casa e os cuidados com a família.

As conclusões fazem parte das reflexões apresentadas por Coontz em seu livro “For Better and Worse: The Complicated Past and Challenging Future of Marriage” (Na alegria e na tristeza: O passado complexo e o futuro desafiador do casamento), no qual analisa a evolução dos relacionamentos ao longo da história e questiona diversos mitos sobre o casamento.

Entre eles está a ideia de que a instituição vive uma crise sem precedentes. Para a historiadora, o casamento continua sendo valorizado, mas as expectativas mudaram. Hoje, as pessoas esperam relações marcadas por apoio mútuo, respeito e parceria.

“Não existe mais um fetiche em torno da instituição do casamento. Se uma união não está à altura dos padrões de apoio mútuo e gentileza, estamos dispostos a abandoná-la”, diz.

Ela também contesta a visão de que os anos 1950 representaram uma era de casamentos ideais. Segundo Coontz, o sentimento de nostalgia daquele período está muito mais ligado à estabilidade econômica do pós-guerra do que à rígida divisão de papéis entre homens e mulheres.

“As pessoas não sentem falta das famílias dos anos 1950. Elas sentem falta da confiança na economia do pós-guerra e da sensação de que a vida estava melhorando, não piorando”, afirma.

Na avaliação da pesquisadora, o cenário atual apresenta obstáculos diferentes. A mobilidade intergeracional diminuiu, os millenials americanos são a primeira geração com perspectivas financeiras inferiores às de seus pais, enquanto a crise climática e a instabilidade política ampliam as incertezas sobre o futuro.

Esse contexto faz com que muitas pessoas adiem o casamento até alcançarem maior segurança financeira. “Muitos términos ocorrem pelo medo das pessoas de não terem estabilidade suficiente para dedicar a energia necessária à relação”, explica.

Apesar dos desafios, Coontz afirma que existem caminhos para fortalecer os relacionamentos. Entre eles, reduzir a jornada de trabalho aparece como uma medida capaz de proporcionar mais tempo de convivência, favorecer uma divisão mais equilibrada das tarefas domésticas e permitir que pais e mães participem de forma mais ativa da criação dos filhos.

Para a historiadora, oferecer às famílias mais tempo de qualidade é uma estratégia mais eficaz para fortalecer os casamentos do que resgatar modelos tradicionais de organização familiar defendidos por grupos conservadores.

Jornada reduzida na TI

A carga horária máxima para os profissionais de TI em diversas localidades já é reduzida, isso porque a Fenati (Federação Nacional dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação) conquistou a jornada de 40 horas em estados como São Paulo, Paraná, Mato Grosso e Maranhão, além de praças como Uberlândia, por meio das Convenções Coletivas de Trabalho firmadas pelos sindicatos desses locais. No Paraná, Mato Grosso e Maranhão, também há a proibição da escala 6×1 na categoria.

Além disso, as CCTS de São Paulo e Maranhão garantem licenças-paternidade acima do previsto atualmente na CLT e da ampliação prevista para entrar em vigor a partir do ano que vem.

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