Pesquisa revela o que o ChatGPT faz com o cérebro e resultados assustam

Pesquisa revela o que o ChatGPT faz com o cérebro e resultados assustam

Estudo é pioneiro a usar escaneamento cerebral para medir o impacto da IA na escrita

ChatGPT – Pesquisadores do MIT Media Lab mediram, pela primeira vez, a atividade cerebral de pessoas que escrevem com ajuda de inteligência artificial (IA). O veredito dos eletroencefalogramas foi revelador: o uso do ChatGPT reduziu a conectividade neural dos participantes em 47%, e o desempenho cognitivo deteriorou ao longo dos meses não estabilizou.

A pesquisadora Nataliya Kosmyna conduziu o experimento com 54 voluntários entre 18 e 39 anos, recrutados no MIT, em Harvard e no Wellesley College, todos na região de Boston. Os participantes foram divididos em três grupos e receberam a mesma tarefa: redigir textos no estilo do SAT, o exame de admissão universitário americano. Um grupo escreveu com o auxílio do ChatGPT, na versão GPT-4o; outro utilizou apenas o Google, sem o recurso de respostas geradas por IA; e o terceiro trabalhou exclusivamente com o próprio conhecimento, sem nenhuma ferramenta externa.

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Enquanto escreviam, todos tinham a atividade cerebral monitorada por eletroencefalograma e por uma técnica chamada Dynamic Direct Transfer Function, a dDTF, que não mede apenas o nível geral de ativação do cérebro, mas o fluxo de informação entre suas diferentes regiões. Os números registrados mostraram que o grupo que utilizou o ChatGPT teve 42 conexões neurais ativas, contra 79 no grupo que escreveu sem apoio.

O que os cérebros revelaram

Em todas as dimensões avaliadas — controle executivo, engajamento atencional, memória ativa e desempenho linguístico —, o grupo que usou o ChatGPT ficou em último lugar. O grupo sem nenhuma assistência apresentou as maiores amplitudes nas ondas alfa, teta e delta, associadas à criatividade, à memória e à compreensão semântica. O grupo que utilizou o Google ocupou uma posição intermediária, o que sugere que qualquer forma de delegação cognitiva já produz algum impacto, mas que transferir o trabalho para um modelo de linguagem é a forma mais intensa de abrir mão do próprio processamento mental.

O dado mais revelador veio da segunda etapa do experimento. Ao final, os participantes que usaram o ChatGPT foram convidados a reescrever um dos textos que haviam produzido, desta vez, sem a ferramenta. O resultado foi expressivo: 83,3% deles não conseguiram citar uma única frase dos próprios textos, redigidos minutos antes. No grupo do Google, dois participantes tiveram o mesmo problema, enquanto no grupo sem apoio, apenas um.

Kosmyna explicou o fenômeno à revista Time com precisão: “A tarefa foi executada, e você pode dizer que foi eficiente e conveniente. Mas, como mostramos no artigo, você basicamente não integrou nada disso às suas redes de memória”.

A conta que vem depois

O conceito que organiza as conclusões da pesquisa é o de dívida cognitiva. A ideia é simples: ao reduzir o esforço mental imediato, o usuário abre uma conta que será cobrada mais tarde, com juros. O acompanhamento longitudinal de meses mostrou que o desempenho do grupo do ChatGPT não se manteve estável, na verdade, piorou de forma consistente. O grupo que escreveu sem assistência, ao contrário, manteve e aprimorou os índices de conectividade ao longo do tempo.

O experimento ainda incluiu uma etapa mais reveladora: parte dos voluntários foi transferida entre grupos. Os dados mostraram que quem havia usado o ChatGPT de forma consistente e depois foi obrigado a escrever sozinho ficou abaixo dos participantes que nunca haviam recorrido à ferramenta.

Em entrevistas, Kosmyna destacou que cérebros em desenvolvimento são os mais vulneráveis a esse padrão, o que coloca adolescentes e estudantes no centro da preocupação. Ao mesmo tempo, a pesquisadora evitou uma conclusão simplista. “O cérebro não dormiu, mas houve muito menos ativação nas áreas correspondentes à criatividade e ao processamento da informação”, disse. E acrescentou uma distinção que os dados sustentam: usar a IA como atalho para não pensar é fundamentalmente diferente de usá-la como apoio enquanto o próprio processo cognitivo segue ativo.

O estudo não propõe o abandono das ferramentas, apenas atenção ao modo como elas são usadas e consciência sobre o que se perde quando pensar passa a ser uma tarefa terceirizada.

(Com informações de Hardware)
(Foto: Reprodução/Freepik/DC Studio)

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