DeepSeek – A startup chinesa DeepSeek anunciou nesta sexta-feira (24) um novo modelo de inteligência artificial com custos “drasticamente reduzidos”, mais de um ano após surpreender o mercado ao apresentar um sistema de raciocínio de baixo custo capaz de rivalizar com soluções americanas.
A corrida global pela liderança em IA tem intensificado a disputa entre China e Estados Unidos. Na quinta-feira, a Casa Branca acusou organizações chinesas de promoverem um esforço em larga escala para obter tecnologia de inteligência artificial de forma indevida.
LEIA: Empresa francesa cria traje de ciclismo ‘inteligente’ com airbag que não afeta desempenho
Sediada em Hangzhou, a DeepSeek ganhou notoriedade em janeiro do ano passado ao lançar um chatbot de IA generativa baseado no modelo R1, que colocou em xeque a percepção de domínio absoluto dos EUA nesse setor estratégico.
Segundo a empresa, o DeepSeek V4 “apresenta um contexto ultralongo”, sendo descrito em comunicado publicado no WeChat como “líder mundial, com custos drasticamente reduzidos de computação e memória”, afirmação também reforçada em anúncio na plataforma X.
O modelo suporta um contexto de até um milhão de “tokens” — unidades de texto como palavras ou sinais de pontuação —, o que o posiciona no mesmo patamar do Gemini, do Google. Esse parâmetro define a quantidade de informação que o sistema consegue processar simultaneamente para executar tarefas.
O V4 foi disponibilizado em duas versões: DeepSeek V4 Pro e DeepSeek V4 Flash. A versão Flash é apresentada como “uma opção mais eficiente e econômica”, por utilizar menos parâmetros.
De acordo com a empresa, em testes de “conhecimento de mundo”, o V4 Pro fica atrás apenas da versão mais recente do Gemini. Uma versão preliminar de código aberto já está disponível, embora não haja previsão para o lançamento definitivo. No início do ano passado, o modelo da DeepSeek chegou a custar até 18 vezes menos que o ChatGPT.
Ponto de inflexão
Especialistas avaliam que o V4 representa um “ponto de inflexão” no que diz respeito a hardware e custos.
“Isso resolve problemas antigos de desempenho mais lento e custos mais altos associados a comprimentos de contexto longos, marcando um verdadeiro ponto de inflexão para a indústria”, afirmou Zhang Yi, fundador da empresa de pesquisa iiMedia.
“Para os usuários finais, isso trará benefícios amplos e acessíveis. Por exemplo, se o suporte a contextos ultralongos se tornar um recurso padrão, o processamento de textos extensos deverá sair dos laboratórios de pesquisa de ponta e entrar em aplicações comerciais convencionais”, acrescentou.
O V4 Pro conta com 1,6 trilhão de parâmetros, enquanto o V4 Flash possui 284 bilhões, responsáveis por aprimorar a capacidade de decisão dos sistemas.
O modelo também foi “otimizado” para integração com ferramentas populares de agentes de IA, como Claude Code, OpenClaw, OpenCode e CodeBuddy, segundo a DeepSeek.
Para o analista veterano Max Liu, o lançamento representa um “marco” para empresas chinesas do setor.
“Isso é algo positivo para toda a indústria doméstica de IA. Pode oferecer modelos melhores para os usuários locais, e agora podemos esperar muitas outras coisas — mais produtos e um mercado mais competitivo”, disse.
Momento Sputnik e questionamentos
O chamado “choque DeepSeek”, ocorrido no ano passado, levou à queda de ações ligadas à IA e provocou uma revisão nas estratégias de empresas do setor. O episódio foi descrito como um “momento Sputnik”, indicando um impacto estratégico repentino.
O chatbot da companhia apresentou desempenho comparável ao do ChatGPT e de outras soluções líderes dos Estados Unidos, embora, segundo a empresa, tenha sido desenvolvido com menor capacidade computacional.
Apesar do sucesso, o crescimento acelerado também gerou preocupações sobre privacidade e censura. O sistema chegou a evitar respostas sobre temas sensíveis, como o massacre da Praça da Paz Celestial, em 1989.
Na China, as ferramentas da DeepSeek vêm sendo adotadas por governos locais, instituições de saúde, empresas financeiras e outros segmentos corporativos.
Essa expansão foi impulsionada pela decisão da companhia de adotar o modelo de código aberto, tornando públicos os mecanismos internos de seus sistemas — em contraste com plataformas proprietárias de concorrentes ocidentais, como a OpenAI.
Acusação dos EUA
Em meio a esse cenário, a Casa Branca acusou empresas chinesas de tentarem “roubar” tecnologia americana, às vésperas de uma cúpula prevista entre Donald Trump e Xi Jinping em Pequim no próximo mês.
“Os EUA têm evidências de que entidades estrangeiras, principalmente na China, estão conduzindo campanhas de destilação em escala industrial para roubar IA americana”, declarou Michael Kratsios, principal assessor de ciência e tecnologia de Trump, em publicação no X.
A destilação é uma prática comum no desenvolvimento de inteligência artificial, frequentemente utilizada para criar versões menores e mais baratas de modelos existentes.
O anúncio do novo modelo também ocorre em um momento de reestruturação no setor. A Meta informou que pretende reduzir cerca de 10% de sua força de trabalho para aumentar a produtividade, enquanto mantém investimentos robustos em IA.
Relatos indicam que a Microsoft também avalia cortes em seu quadro de funcionários.
(Com informações de g1)
(Foto: Reprodução/Freepik/mari_draiser)


