Senado aprova projeto que cria IA para monitorar agressores de mulheres

Senado aprova projeto que cria IA para monitorar agressores de mulheres

Projeto prevê monitoramento em tempo real por meio de tornozeleiras eletrônicas conectadas a um sistema de inteligência artificial

IA – O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (11) o Projeto de Lei nº 750/2026, que institui o Programa Nacional de Monitoramento de Agressores com Uso de Tecnologia por Inteligência Artificial (PNM-IA). A proposta cria um sistema de rastreamento em tempo real voltado ao acompanhamento de agressores de mulheres, com o objetivo de garantir que medidas protetivas determinadas pela Justiça sejam efetivamente cumpridas.

De autoria do senador Eduardo Braga (MDB-AM), o projeto se baseia em dados do DataSenado, que registrou 3,7 milhões de vítimas de feminicídio em 2025. A iniciativa busca modernizar a segurança pública por meio da integração entre vigilância contínua e bases de dados digitais. Após aprovação no Senado, o texto segue agora para análise da Câmara dos Deputados.

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Segundo o projeto aprovado, o PNM-IA funcionará por meio da conexão entre tornozeleiras eletrônicas usadas por agressores e um sistema público de inteligência artificial. A tecnologia deverá monitorar os deslocamentos do indivíduo e identificar automaticamente qualquer tentativa de invasão de perímetros ou descumprimento da distância mínima determinada pela Justiça.

Caso seja detectada uma aproximação indevida, o sistema enviará alertas automáticos em tempo real tanto para as autoridades quanto diretamente para o celular da vítima.

Para as mulheres sob proteção, a adesão ao sistema será voluntária. Elas poderão utilizar um aplicativo oficial gratuito, desde que haja consentimento expresso e autorização judicial.

Um dos diferenciais do programa é o uso de aprendizado de máquina (machine learning), técnica que permite ao software reconhecer padrões de comportamento a partir da análise de grandes volumes de dados. Com isso, o sistema poderá realizar análises preditivas e atuar como um “alarme antecipado”, identificando possíveis riscos antes que a agressão ocorra.

A proposta prevê que o sistema detecte comportamentos atípicos ou sinais de escalada na agressividade do monitorado, possibilitando uma intervenção policial preventiva.

A necessidade de medidas mais rigorosas é reforçada por dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que registrou a concessão de 621.202 medidas protetivas em 2025, média de 70 pedidos por hora. Estados como São Paulo já utilizam tornozeleiras eletrônicas desde 2023 como forma de ampliar o tempo de reação das vítimas em situações de risco.

Além do monitoramento em tempo real, o projeto também prevê a criação de um banco de dados nacional destinado à produção de estudos sobre reincidência em casos de violência contra a mulher.

A iniciativa busca permitir diagnósticos mais precisos sobre o ciclo da violência no país, transformando dados coletados em subsídios para a formulação de políticas públicas de longo prazo.

A implementação do PNM-IA não dependerá de uma única fonte de financiamento. De acordo com o texto aprovado, os custos poderão ser cobertos por dotações orçamentárias, doações e parcerias público-privadas (PPPs).

Essas condições foram incluídas por meio de emendas da relatora do projeto, senadora Daniella Ribeiro (PP-PB), com o objetivo de viabilizar a infraestrutura tecnológica necessária para a rede de proteção prevista no programa.

(Com informações de Olhar Digital)
(Foto: Reprodução/Marcos Oliveira/Agência Senado)

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