Uso de IA no trabalho pode se tornar desvantagem competitiva para mulheres

Uso de IA no trabalho pode se tornar desvantagem competitiva para mulheres

Estudo indica que a forma como homens e mulheres utilizam IA no trabalho pode influenciar desigualdades futuras na carreira

Desvantagem competitiva – A inteligência artificial vem alterando rapidamente a maneira como empresas operam, tomam decisões e produzem conteúdos. Sistemas baseados nessa tecnologia passaram a integrar a rotina de muitos profissionais, desde tarefas operacionais até atividades complexas de análise e criação. No entanto, um estudo recente mostra que essa transformação não ocorre de forma homogênea — especialmente quando se analisa o uso da IA por homens e mulheres nas organizações.

Um levantamento conduzido pela CNBC em parceria com a SurveyMonkey ouviu 6.330 pessoas entre os dias 10 e 16 de fevereiro de 2026 com o objetivo de entender como trabalhadores estão incorporando a inteligência artificial no dia a dia profissional. Os resultados revelaram uma distinção significativa no comportamento entre os gêneros.

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De acordo com os dados do estudo:

• 64% das mulheres disseram nunca utilizar inteligência artificial no trabalho
• entre os homens, esse índice é menor: 55%

A diferença também aparece entre os usuários mais frequentes da tecnologia. Entre os chamados usuários intensivos — aqueles que utilizam ferramentas de IA diversas vezes ao longo do dia — os homens aparecem em maior número:

• 14% dos homens afirmam usar IA com frequência elevada
• apenas 9% das mulheres relataram o mesmo comportamento

Os números indicam que a adoção da tecnologia no ambiente corporativo ainda ocorre de maneira desigual entre homens e mulheres.

Visões diferentes sobre o papel da IA

O estudo também identificou diferenças na percepção sobre a inteligência artificial no trabalho.

Entre os entrevistados:

• 61% das mulheres veem a IA como uma ferramenta útil e colaborativa
• entre os homens, esse percentual chega a 69%

Outro resultado chamou a atenção dos pesquisadores: metade das mulheres ouvidas afirmou associar o uso de inteligência artificial no trabalho a uma possível forma de desonestidade profissional. Entre os homens, essa percepção aparece em 43% dos casos.

Isso sugere que, para parte das profissionais, recorrer a ferramentas de IA ainda pode carregar um peso ético maior do que para colegas do sexo masculino.

Uso frequente não significa domínio da tecnologia

Apesar de utilizarem mais a tecnologia, muitos homens também reconhecem que ainda não dominam totalmente as ferramentas. Segundo o levantamento, 59% dos homens disseram que precisam de mais treinamento para trabalhar com inteligência artificial.

O dado indica que a maior frequência de uso não necessariamente significa maior preparo técnico.

Outro fator identificado foi o receio de ficar para trás no mercado de trabalho.

Entre os homens entrevistados:

• 39% disseram temer perder espaço profissional caso não adotem a IA
• entre as mulheres, esse sentimento aparece em 35%

Além disso, 42% das mulheres afirmaram discordar fortemente da ideia de que não usar inteligência artificial possa gerar desvantagens profissionais, enquanto entre os homens esse percentual é de 36%.

Na prática, isso indica que, além de utilizarem menos a tecnologia, muitas mulheres também demonstram menor preocupação com os impactos de não adotá-la.

Especialistas veem possíveis impactos no futuro do mercado

Para especialistas, a diferença na adoção da inteligência artificial pode gerar efeitos relevantes no longo prazo.

Sheryl Sandberg, fundadora da organização LeanIn.Org e ex-diretora de operações da Meta, já comentou o tema em entrevista à CNBC.

Segundo ela, a inteligência artificial tende a provocar mudanças profundas na forma como o trabalho é realizado, criando desafios especialmente para quem não desenvolver habilidades relacionadas à tecnologia.

Sandberg alerta que, caso homens adotem essas ferramentas mais rapidamente — sobretudo no início da carreira — as desigualdades já existentes no mercado de trabalho podem acabar se ampliando.

O alerta ganha peso porque mulheres ainda enfrentam mais obstáculos para alcançar posições de liderança nas empresas.

Inteligência artificial domina discussões nas empresas

O impacto da IA no mercado de trabalho também tem sido um dos temas centrais entre executivos de grandes companhias. Líderes empresariais vêm destacando o papel estratégico da tecnologia para o futuro das organizações.

Jamie Dimon, presidente-executivo do JPMorgan Chase, afirmou recentemente que a inteligência artificial é “crítica para o futuro da empresa”. Segundo ele, quase dois terços dos funcionários do banco já utilizam um modelo interno de linguagem baseado em IA.

Dimon também afirmou que a tecnologia deve eliminar algumas funções tradicionais, tornando ainda mais relevante o investimento em programas de requalificação profissional.

Esse movimento ganhou força especialmente após o lançamento do ChatGPT, da OpenAI, no final de 2022.

Desde então, ferramentas capazes de gerar textos, imagens, códigos e vídeos se espalharam rapidamente pelo ambiente corporativo.

Transformação em andamento

Os dados da pesquisa indicam que a adoção da inteligência artificial no trabalho ainda está longe de ocorrer de maneira uniforme.

As diferenças observadas no uso, na confiança e na percepção da tecnologia mostram que o impacto da IA pode variar bastante entre diferentes grupos profissionais.

Embora o estudo não identifique as razões exatas para esse comportamento distinto, os resultados apontam para um desafio importante. Se a adoção da tecnologia continuar ocorrendo de forma desigual, especialistas temem que isso possa reforçar disparidades já existentes no mercado de trabalho.

Por enquanto, uma conclusão parece inevitável: a inteligência artificial já está mudando o funcionamento das empresas – e a maneira como cada profissional se adapta a essa transformação pode influenciar diretamente o futuro das carreiras.

(Com informações de Gizmodo)
(Foto: Reprodução/Freepik/DC Studio)

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