Chips e minerais estratégicos – O Brasil e a Coreia do Sul assinaram nesta segunda-feira (23) um arranjo de cooperação que abrange áreas estratégicas da indústria e da tecnologia, com destaque para a cadeia de minerais críticos e o desenvolvimento de semicondutores. O entendimento foi firmado durante visita de Estado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Seul, onde se reuniu com o líder sul-coreano Lee Jae-Myung.
O documento estabelece diretrizes para ampliar as relações econômicas e comerciais entre os dois países e prevê colaboração em integração tecnológica, economia digital, inteligência artificial, economia verde, além de temas sanitários, agronegócio e indústria.
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Um dos pontos centrais é a exploração da cadeia completa de minerais críticos – da extração à transformação industrial. A abordagem está alinhada ao discurso do governo brasileiro de incentivar que a produção desses insumos inclua etapas industriais no país, agregando valor antes da exportação. A proposta é reduzir a dependência da venda de matérias-primas e ampliar a presença brasileira em produtos acabados que utilizem minerais estratégicos e terras raras.
No campo dos semicondutores, o texto menciona a intenção de aprofundar a cooperação, mas sem detalhar metas específicas. A inclusão do tema reforça o interesse em ampliar a inserção brasileira em segmentos de alta tecnologia, especialmente em um cenário internacional marcado por disputas comerciais e tecnológicas.
O acordo prevê ao menos uma reunião anual entre autoridades de alto nível. A coordenação será feita, do lado brasileiro, pelo Itamaraty e pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, e, do lado sul-coreano, pelos ministérios das Relações Exteriores e do Comércio, Indústria e Recursos.
Apesar do alcance amplo, o arranjo não estabelece prazos, investimentos definidos nem obrigações juridicamente vinculantes. Isso significa que, em caso de descumprimento, não há mecanismos formais de cobrança entre as partes.
A assinatura ocorre dias após Luiz Inácio Lula da Silva ter firmado entendimento semelhante com a Índia, durante visita ao país a convite do primeiro-ministro Narendra Modi. Diferentemente do pacto com os sul-coreanos, o acordo com os indianos é mais direcionado a minerais críticos e terras raras, enquanto o firmado em Seul funciona como um guarda-chuva mais amplo de cooperação econômica e tecnológica.
A movimentação acontece em um contexto internacional de maior sensibilidade em torno de cadeias produtivas estratégicas. Disputas comerciais entre Estados Unidos e China, incluindo tarifas e restrições à exportação de chips avançados e minerais, recolocaram semicondutores e terras raras no centro da geopolítica industrial.
Em outubro do ano passado, por exemplo, a China impôs controles sobre a exportação de terras raras, exigindo autorização prévia para produtos que as contivessem, independentemente do local de transformação. A medida, ainda que temporária, impactou cadeias industriais como as de semicondutores, aviação e setor automotivo, evidenciando a relevância estratégica desses insumos para a economia global.
(Com informações de Folha de S.Paulo)
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